by Demi
A pergunta "e agora, pra onde vou?" depois do fim de um relacionamento que nos marcou fica, muitas vezes, latejando na cabeça por mais tempo que pretendíamos. Perdidos, parece que nos foi tirado o chão, mais que isso, os alicerces sob os quais construímos sonhos, fizemos projetos de vida e vislumbramos um futuro promissor ao lado da pessoa que partiu. Apesar que nos casos de relacionamentos longos e marcantes, pouco importa quem partiu, se foi você ou a outra pessoa, a sensação de vazio é a mesma. O "day after" se transforma na "week after", e vamos nos afundando à procura da tábua de salvação. Opção, essa é a questão de ordem. Novamente, as escolhas: quais as opções que temos nesse instante? Podemos escolher ficar indefinidamente lamentando o fim da relação, numa depressão crescente; podemos sair em desespero à caça de um outro amor ou podemos, apenas, aprender a gostar de passar um pouco de tempo em nossa própria companhia. Ficar alguns dias escutando "Everybody hurts", "Depois de ter você" ou alguma balada sertaneja até riscar o CD pode não ser de todo ruim, desde que o reservatório de lágrimas mande logo ao cérebro o grito de "basta". Pular direto a um outro relacionamento (o eterno medo da solidão) acaba se tornando a opção mais cruel, porque a nossa mágoa pode duplicar quando a pessoa com quem estivermos nos relacionando perceber que está sendo usada pra que esqueçamos um antigo amor. E, acredite, elas sempre percebem quando isso acontece. O que resta, então? Optar por nós mesmos. Amadurecer. Aprender a gostar de estar em nossa própria companhia, parar por instantes (que podem ser dias ou meses) pra fazer uma faxina na alma. "- Que bonita teoria, mas onde entra a parte do aperto no peito e a dor que estou sentindo agora?", diriam muitos. Claro que sofrer faz parte do processo, não há melhor forma de aprendizado que a dor. O erro está em escondê-la. Temos que encará-la de frente e dizer com convicção: "- Eu sei que você está presente agora mas saiba que isso também vai passar". Intimidar a dor e acreditar na ameaça que fizemos a ela. Não há nada mais gostoso que descobrir a alegria de nossa convivência em momentos de solidão, que sempre acontecem. Mesmo em meio a um relacionamento deveríamos ter essas horas introspectivas pra descoberta dos próprios desertos interiores. Tirar o pó da janela da alma e perceber que as críticas que recebemos das pessoas com quem nos relacionamos até hoje podem, sim, ter fundamento. Colocarmo-nos na posição de nossos antigos amores e analisar o relacionamento sob o ponto de vista deles, não pelo lado que nos convém, que esse é sempre mais cômodo. Máscaras são mais fáceis de serem tiradas de rostos alheios, mas quando se trata das nossas fica difícil separá-las da pele. Diluir os defeitos que encontrarmos no processo e valorizar, claro, as virtudes. Optar por nós mesmos requer tudo isso e mais, a certeza de que o mundo está cheio de pessoas especiais à nossa espera, e não vai ser um tropeço momentâneo que nos tirará do foco: encontrar alguém pra se apaixonar que goste de nós "por causa de" e "apesar de". Do jeitinho que somos, pacote completo sem direito a escolher os opcionais, no melhor estilo “what you see, what you get”. Aquela que nos arranque suspiros não da boca, mas do coração. Sorte da pessoa que nos encontrar depois disso, porque vai se deparar com alguém centrado no que precisa e do que tem a oferecer num relacionamento, ciente das derrapadas que teve antes e esperançoso de não cometê-las novamente. Alguém que aprendeu nos erros e com uma vontade louca de expor a vulnerabilidade à prova de alguém que a mereça. Uma pessoa sem pressa, tranqüila, que sabe esperar o momento certo de se entregar, de abrir as portas e tirar a plaqueta de "fechado pra almoço". Alguém que reformou a alma, mudou a decoração, tirou a mobília do lugar e gostou do que viu depois. Uma pessoa que sabe a importância de ficar sozinha vez ou outra ao invés de agarrar a primeira mão que lhe é oferecida. Uma pessoa que sempre opta por ela mesma e sabe que ninguém nesse mundo ou em qualquer outro vai lhe tirar o direito de tentar, à sua própria maneira, ser feliz.
3 Comments:
amei Demi!estava mesmo querendo ouvir ou melhor ler isto!bjssss
Demi,
A sua maneira de escrever é fantástica, parece falar aos nossos ouvidos.
Me fez lembrar de uma frase: "os dias em que me vejo só, são os dias em que mais me encontro.
Beijos
Sol
Vovo, vou seguir seus sabios conselhos.
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